segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Defendendo que ciência?

Como exercício de senso crítico, tão ausente em nossos dias, aproveito um texto bem característico publicado por Marcelo Gleiser, em 13-02-2011, na Folha de São Paulo, com o título "Defendendo a ciência".
Lá ele se mostra indignado com as afirmações de Rainer Sousa, no portal www.brasilescola.com, no sentido de que a origem da vida é um tema polêmico e, sendo assim, cabe a cada um adotar, por critérios pessoais, a corrente explicativa (filosófica, religiosa ou científica) que lhe parece plausível.
Gleiser simplesmente não admite que um educador, em pleno século 21, dê liberdade ao leitor ou a seus alunos, para usar de suas próprias luzes "sobre um tema científico, amplamente discutido e comprovado, dos fósseis à análise genética". Para ele o tema já não permite nenhuma polêmica e a nossa inteligência, se não estiver satisfeita, ela que se dane.
A grande falha de uma determinada "comunidade científica" é não saber distinguir entre evolução dos seres vivos e origem dos seres vivos. Que os seres vivos evoluem, disso parece não restar dúvidas, bastando lembrar como até as bactérias se modificam para enfrentar os sucessivos antibióticos. Os fósseis também atestam que, em eras remotas, o ser humano não estava presente. O que isso prova com relação à origem da própria vida?
Houve um tempo (todos acreditam nisso) em que a nossa Terra não existia. Mesmo depois de formada, a vida estava totalmente ausente. Como surgiu ela então? Li numa apostila de pré-vestibular que, lá pelas folhas tantas, as moléculas adquiriram a capacidade de se reproduzir e de se auto-organizar. Adquiriram onde? Num supermercado primordial?
A origem da vida se perde na noite dos séculos e qualquer um que queira descrevê-la não está fazendo ciência, porque a verdadeira ciência exige comprovação. De nada adianta dizer que, milhões de anos atrás, havia uma sopa cósmica e condições favoráveis para o surgimento da vida.
Cabem aqui duas quadrinhas, de minha autoria:

No mundo das Ciências
há burrices notáveis.
Dizem que a vida surgiu
por condições favoráveis.

Pois lá na minha cidade
construíram um cartório.
Isso explica ter com Cida
contraído meu casório?

Outra patacoada dita científica é que a vida surgiu das erupções vulcânicas, o que me fez criar outra quadrinha:

Disseram que dos antigos vulcões
surgiu a vida um dia.
Parece que os vulcões d'agora
fizeram vasectomia.

Quer a tal "comunidade científica" melhores condições do que as que temos hoje? Por que não flagram o início de qualquer vida, que não seja originada de outro ser vivente, a chamada abiogênese?
Louis Pasteur, já no século XIX, peitou essa comunidade científica, afirmando que a vida só se originava de outra vida, desafiando para uma prova pública quem defendia a abiogênese. Todo mundo fugiu. Como fogem até hoje. O máximo que conseguem é produzir vírus sintéticos, seres absolutamente inertes por si mesmos e que só parecem ter vida pela atuação das células que os abrigam.
Com isso, a nossa inteligência percebe claramente que a origem da vida é mais do que polêmica, cabendo toda sorte de debate, e que nada está cientificamente provado, como quer o Marcelo Gleiser, defendendo, não a verdadeira ciência, mas uma ala da comunidade científica, que está longe da unanimidade.
Voltaremos ao assunto em breve.

autor:Renato Benevides






Um comentário:

  1. Li com prazer este artigo do filósofo Renato. Gostaria de perguntar uma coisa: tem resposta concreta para saber como iniciou a vida do homem no mundo? Alguém pode dizer se sabe "de onde veio" e "pra onde vai"?

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